O NAVEGANTE
Quando agora, longe de ti
Todas aquelas lembranças
Parecem renascer aqui
Revivendo todas as bonanças
Desvanecendo todas as tempestades
E para que eu não enlouqueça
Nas radiosas manhãs e nas cálidas tardes
Reminiscências far-se-ão presentes
E virão com tanta impetuosidade
Que farão meus olhos dormentes
Dormirem o sono da saudade...
E reviverei dos teus lábios o sabor
Provarei a sensação suprema
Que deve provar o beija-flor
Quando beija a doçura amena
Da lágrima de uma rosa
Capricho da Natureza
Que em sua filha mais formosa
Condensou toda a Beleza
E fez dela sua obra-prima...
Mas simples apesar de tudo
Apesar de estar lá em cima
Onde o vento se faz mudo
Para não desandar-lhe o viço...
Ver-te é minha única ânsia
Pois lançaste-me um feitiço
Mesmo estando à distância...
Sentirei outra vez o calor
O prazer de ter-te em meus braços
A segurança de ter o amor
Como a luz de nossos passos
E o sentido de nossas vidas...
Venha, não tenha receio
De ter suas forças perdidas
Pois esse é o único meio
De despertar a energia que temos
No lado esquerdo do peito...
Muito tempo já perdemos
Mas ainda há um jeito...
Porque o início da realidade
Está em saber sonhar
Sonhar com a felicidade
E por ela também lutar...
Tocar outra vez teus cabelos
Tuas mãos e tua face
Pedir com sinceros apelos
Que isso tudo não passe
Ou que então pelo menos
Demore muito a passar...
Estes instantes serenos
Em que posso te abraçar
São de minh´alma o alimento
Assim como são minha vida...
Pois não existe momento
Se não existires, querida
E se alguma vez, porventura
Uma lágrima rolar em teu rosto
Não ensejes nenhuma procura
Nem penses que seja desgosto
Pois ela é minha presença
Que vem de lugares distantes...
Não penses que o coração pensa
Ou que lhe importam os instantes
Em que estamos separados...
Nesse tempo ele descansa
De outros tempos passados
E num sono profundo se lança...
Povoado de sonhos airosos
De reflexões contemplativas
De reflexos amorosos
De mil emoções cativas
Cativas em meu coração
Pois prefiro poder dominá-as
Mas sempre há situação
Em que se pode libertá-las...
Uma delas é quando sonhamos
Quando ninguém tem acesso
À mente que libertamos
E ao pensamento expresso
De maneira inexplicável...
Mesmo sendo um mistério
Há um caminho palpável
Nesse contexto etéreo
De sonhos apaixonados...
Os personagens perdidos
Podem ser encontrados
Dos corações destruídos
Juntaremos os pedaços
Forjando uma nova vida
Que surgirá de meus braços
Como árvore renascida!
Assim se faz o sonhar...
Mas como se faz o viver?
Será apenas lutar?
Será apenas sofrer?
Neste mar tempestuoso
Não me debato em vão
Pois há um farol luminoso
Em tão negra escuridão...
Você é meu porto seguro
Tal como tranqüila enseada
Onde sob o Amor mais puro
Dorme a prece apaixonada
De um Navegante esquecido...
Por Beto Gobert (escrito em 20 minutos de inspiração)

